comprar carro usado

Preço dos carros usados pesa mais no bolso

Publicado em 06/05/2026

Quem pesquisou carro nos últimos anos sentiu a diferença no bolso. O aumento não ficou restrito aos modelos zero-quilômetro. Os usados e seminovos ficaram ainda mais caros em comparação com o período anterior à pandemia.

Segundo dados do IBV Auto, índice do banco BV que acompanha a variação de preços de automóveis leves usados no Brasil, os carros usados subiram 83% entre 2020 e 2025. No mesmo período, os veículos zero-quilômetro tiveram alta de 51,5%.

A diferença mostra uma mudança importante no mercado. O carro usado, que antes era visto como uma alternativa mais barata e previsível, passou a disputar espaço em um cenário de procura alta, estoque limitado e preços mais pressionados.

A pandemia mudou a lógica do mercado

A alta começou a ganhar força em 2020, quando a indústria automotiva enfrentou falta de peças, atrasos na produção e escassez de semicondutores, os chips usados em vários sistemas eletrônicos dos veículos.

Com menos carros novos disponíveis nas concessionárias, muitos consumidores migraram para o mercado de usados. Quem precisava trocar de veículo, trabalhar, levar a família ou manter uma rotina com mais autonomia não podia esperar meses por um modelo novo.

Esse movimento aumentou a disputa por veículos seminovos e usados em boas condições. Quando a procura cresce rápido e a oferta não acompanha, o preço sobe. Foi exatamente isso que aconteceu em boa parte do mercado automotivo brasileiro.

Modelos populares ficaram mais valorizados

A valorização não foi igual para todos os carros. Modelos conhecidos pela manutenção mais simples, boa aceitação no mercado e custo de uso mais previsível acabaram mais procurados.

Entre os modelos que mais subiram de preço, aparecem o Renault Clio, com alta de 57,8%, o Renault Logan, com 49,9%, o Ford Focus, com 44,9%, o Chevrolet Corsa Sedan, com 43,9%, e o Chevrolet Vectra, com 43,8%.

Esses números ajudam a explicar por que muitos carros de entrada, mesmo com mais tempo de uso, passaram a custar mais do que o comprador esperava. Em um mercado aquecido, os veículos com fama de confiáveis tendem a segurar melhor o valor.

Nem todo usado ficou mais caro

Apesar da alta geral, alguns modelos seguiram um caminho diferente. O Peugeot 208, por exemplo, aparece com queda de 28,4%. O Jeep Compass teve recuo de 8,5%, enquanto o Volkswagen T-Cross caiu 5,4% no período analisado.

Isso acontece porque o preço de um usado depende de vários fatores. Ano, versão, oferta no mercado, custo de manutenção, consumo, histórico de revisões, aceitação na revenda e até mudanças no gosto do consumidor influenciam o valor final.

Por isso, olhar apenas para a média do mercado pode levar a uma conclusão errada. Dois carros do mesmo ano podem ter preços bem diferentes dependendo do estado de conservação e do histórico de cada unidade.

lote de carros usados à venda
Crédito: tawatchai07/Magnific

O preço alto aumenta o risco da compra

Com carros usados mais caros, errar na compra ficou ainda mais pesado. Antes, uma pendência documental, um sinistro não informado ou uma passagem por leilão já poderiam causar prejuízo. Agora, com valores maiores, o impacto no bolso tende a ser ainda mais alto.

O problema é que muitos riscos não aparecem em uma visita rápida ou em um test-drive. Um carro pode estar limpo por fora, funcionando bem no primeiro contato e ainda assim ter restrições, débitos, histórico de roubo ou furto, registros de sinistro ou bloqueios administrativos.

Também é comum que o comprador foque só no preço anunciado. Se o valor parece bom demais, a pressa pode atrapalhar a análise. Em um mercado valorizado, uma oferta muito abaixo da média merece atenção redobrada.

O que consultar antes de fechar negócio

Antes de comprar um usado, o ideal é cruzar três tipos de informação: valor de mercado, estado físico do veículo e histórico documental. Um ponto não substitui o outro.

A comparação de preço ajuda a entender se o valor pedido está dentro da realidade. A vistoria presencial mostra conservação, pneus, pintura, interior e possíveis sinais de reparos. Já a consulta de histórico ajuda a identificar informações que nem sempre são visíveis.

Com a Motor Consulta, é possível verificar dados como débitos, multas, restrições, histórico de leilão, sinistro, roubo ou furto, além de informações cadastrais do veículo. Essa etapa ajuda o comprador a negociar com mais segurança e evita que a decisão dependa apenas da palavra do vendedor.

Como comprar melhor em um mercado caro

O primeiro passo é pesquisar mais de uma opção. Se um modelo valorizou muito, pode valer a pena comparar versões, anos próximos ou até categorias diferentes. Às vezes, um carro menos buscado oferece um custo-benefício melhor.

Também é importante calcular o custo total, não só o valor de compra. IPVA, seguro, manutenção, consumo, pneus e possíveis reparos devem entrar na conta. Um carro mais barato na negociação pode sair caro depois.

Outro cuidado é não deixar a valorização do mercado criar pressa. Mesmo quando os preços sobem, comprar sem checar histórico pode transformar uma oportunidade em dor de cabeça.